Trago um texto recebido de Alex Félix sobre o Espetáculo realizado em novembro na cidade de Lorena – SP.

Alex é um amigo especial, membro da Espaço E. Cia de dança, grupo de artistas e bailarinos do Vale do Paraíba. Vivemos grandes conquistas e batalhas juntos, caminhamos estudando e nos interessando pelos “olhares” ao corpo. Ele revisou todo o meu trabalho monográfico, então hoje, dia do seu aniversário, deixo um trecho deste meu processo e logo em seguida a escrita do próprio Alex sobre nossa última experiência na dança.

“Mais um convite à dança! Aqui, um fim para o recomeço, um estado internalizado para o encorajamento do devir. O sentimento do salto, um núcleo “subjetivo” que intenciona o impulso. Um caminhar para fora, um retornar pelos ossos, a atenção na maneira de se transportar, de vir a ser movimento expansivo, de estar no espaço, irradiando – tocando e entrando de novo…e saindo outra vez…

Um embalo em si mesmo, com o outro, para além da pele…”

( Mulinari, Layla. Eutonia e Dança. Eutonia como possibilidade de dar consistência e potencializar a capacidade autopoética do sujeito na experiência com o movimento. Instituto Brasileiro de Eutonia, 2015)

Viva a vida de quem comigo move espaços do corpo e observa as suas transformações…

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Nascer é sempre um rompimento. Da mesma forma que rompemos com a placenta, também rompemos com os invólucros simbólicos que nos envolvem. Não há nascimento que não deixe para trás um estado pregresso. Do interior ao exterior, do caos à criação, do silêncio à voz, do barro à forma.

                                          Registro do espetáculo “Tramaterra, performance de rua”

Nascer é estabelecer um novo lugar.

As crianças sabem bem disso. Tudo nelas é um nascimento. Cada descoberta, olhar, palavra, movimento. O bebê descobre os movimentos dos pais e, então, um novo lugar se estabelece. Um espaço no qual eles se movem e se deixam mover.

Já em mim, quando o movimento nasce, vem a memória do caminho. Por que eu danço? Porque preciso deste impulso. É ele que me move e estabelece meu lugar. E na partilha com os outros, nasce uma conexão com algo que é maior do que eu: o corpo-mundo.

E quando nasce a tristeza, a angústia ou a morte?

Todas elas nascem, para que do fim surja um outro começo. E assim o mundo segue.

E a arte também.

                                                   Registro do espetáculo ” Nascimento e o impulso que faz mover”

O olhar do artista transforma e faz nascer um universo de possibilidades, seja na denúncia da realidade ou nas belezas da natureza, no corpo em movimento ou nos sons do cantar.  A arte confirma o que o real da vida não enxerga: nascemos a todo instante.

“Minha voz veio de lá, de quem me gerou”.

Alex Félix, 26 de novembro de 2019.